Saúde e DDHH
12/03/2019
Coletivo comenta matéria da imprensa sobre afastamentos por saúde


A matéria publicada na segunda-feira, dia 11/03 pelo jornal Extra, sobre os afastamentos de professores da rede municipal do Rio de Janeiro é mais um dos capítulos da precarização da profissão e da educação.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Coletivo de Saúde e direitos humanos do SEPE no último congresso da entidade em 2017, as maiores queixas dos professores giram em torno dos baixos salários, assédio moral, violência nas escolas, excesso de trabalho provocado por desvio de função e pela necessidade de trabalhar em mais de um colégio. O elevado número de alunos em turmas, falta de estrutura e materiais básicos para trabalhar em sala, aliados a falta funcionários na escola contribuem para tornar o ambiente de trabalho mais cansativo. Os educadores estão pagando com sua saúde a falta de investimentos do Estado em educação.

Estes fatores, que são resultado da falta de investimento público em educação, que afetam diretamente a saúde dos profissionais da educação, sejam eles professores ou funcionários. Na mesma pesquisa, cerca de 90% dos participantes identificaram sofrer de cansaços mentais permanentes e outros 80% sentem-se emocionalmente exaustos. Mais de 66% afirmam não estar motivados com a profissão.

No que tange a questão da violência externa ao ambiente escolar, citada na matéria do Extra, não podemos medir esforços para cobrar uma outra política de segurança pública. As incursões policiais em favelas na guerra às drogas mostra-se completamente ineficaz. Nem acaba com o tráfico de drogas e tampouco diminui a violência urbana. Pelo contrário, todas as escolas e todos os espaços de moradia no entrono ficam sob fogo cruzado, colocando em risco a vida de moradores, estudantes, professores e funcionários de escola. A adoção de medidas de inteligência na luta contra criminalidade é um elemento essencial e urgente, em substituição à ação militar, o que resulta em menos mortes da população e também de policiais.

De outro lado, permaneceremos lutando pelo aumento do investimento público em educação e medidas que resultam diretamente na melhoria das condições de trabalho dos profissionais da educação. Continuaremos reivindicando a lei, que garante 1/3 de planejamento para todos os professores das diferentes cargas horárias, a diminuição do número de alunos por turma, salários condizentes com a dignidade humana, uma matrícula, uma escola; concursos para funcionários e outras pautas históricas para a categoria.

É necessário compreendermos que se estes problemas afetam o conjunto de nossa categoria, trata-se de um problema coletivo e não meramente individual. O pedido de licenças e a medicação, ainda que controlada são fatores importantíssimos para estes profissionais, contudo, a solução só será realmente efetiva com a modificação das nossas condições de trabalho.

Secretaria de Saúde e Direitos humanos do SEPE  

Leia a matéria do jornal Extra


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