Saúde e DDHH
11/09/2013
Carta aos pais e responsáveis de alunos do Município sobre a greve

Carta aos pais e responsáveis das Escolas da Rede Municipal do Rio de Janeiro sobre os motivos da nossa greve e a manutenção do estado de greve


19 anos que os professores e funcionários de escolas não realizavam uma greve como esta que se encerrou no dia 10 de setembro.


5 anos, desde que o prefeito Eduardo Paes assumiu, o nosso sindicato buscava, sem sucesso, ser recebido para discutir sobre os rumos da educação pública na nossa cidade.


Apenas com esta forte e histórica greve de 33 dias, conseguiu a categoria de profissionais de educação ser recebida em audiência para negociar com o governo, que se mostrava autoritário, arrogante e prepotente, nada preocupado com a situação da educação pública.


Foram várias audiências com o governo ao longo desses dias, com ameaças de demissão e corte de ponto, mas a categoria manteve-se firme no seu objetivo de alcançar avanços na construção de uma educação pública de qualidade para os filhos da população carioca.


Mesmo com conquistas salariais importantes, além do Plano de Carreira Unificado para professores e funcionários, como cozinheiras escolares, serventes, copeiras, secretários escolares, agentes auxiliares de creche, que não recebiam nem o salário mínimo, a categoria persistiu em arrancar deste governo ganhos na pauta pedagógica, isto é, em melhorias nas condições de ensino para os nossos alunos.


Pontos significativos foram atingidos: a garantia de 1/3 de planejamento de fato para a preparação de melhores aulas para nossos alunos; a redução de alunos excedentes em sala de aula, pois as turmas hoje se encontram lotadas; o estudo do retorno da grade de 6 tempos de aula, para enriquecer com mais conhecimento o ensino nas escolas, assim como a garantia de pelo menos dois tempos de aulas de Espanhol e Francês; a climatização das escolas, com o dobro de unidades escolares a serem atendidas ainda em 2013, passando de 65 para 130, visto que as salas são verdadeiras saunas no verão.


Importante destacar que qualquer mudança (reestruturação) que venha ocorrer nas escolas dependerá do consentimento da comunidade escolar através do CEC (Conselho Escola-Comunidade). A escola é da comunidade, que a mantém com seus impostos, não do governo.


Foram inúmeras as vitórias deste movimento de greve, acontecimento importante que mostra, assim como as manifestações populares de junho deste ano, que é possível fazer com que os governos não façam tudo o que querem, mas que ouçam o que o povo tem a dizer.


Entretanto, é preciso dizer que a nossa luta por uma educação pública de qualidade para as nossas crianças e jovens não termina por aqui.  E que é necessário que a comunidade que tanto nos apoiou continue conosco neste objetivo, pois a educação não é favor, mas um dever do Estado e um direito nosso, cidadãos que somos.


Direção do Sepe/RJ e Profissionais de Educação da Rede Municipal do Rio de Janeiro

Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
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Telefone: (21) 2195-0450