Saúde e DDHH
10/09/2007
SME tem que fazer a sua parte

 

No fim da semana passada, a secretária de Educação Sônia Mograbi convocou a imprensa para uma entrevista coletiva, onde falou sobre a situação das escolas municipais. Como sempre, a secretária traçou "o melhor do mundo" para os jornalistas e teceu considerações sobre a situação da violência nas escolas que não condizem com o cotidiano vivido pelas comunidades escolares. Veja o comentário do Sepe sobre as declarações de Sônia Mograbi.

 

A Secretaria Municipal do Rio, quando se trata de violência nas escolas, não tem cumprido com as suas responsabilidades.

 

Primeiro, não tem porteiro para tomar conta do portão, o que certamente minimizaria o problema do acesso às escolas. Atualmente, para se entrar numa escola municipal é necessário esperar que algum profissional páre o que está fazendo para atender a porta. E isso pode demorar um pouco.

 

Só a falta deste profissional tem deixado exposta a assaltos e balas perdidas nossa comunidade e os profissionais nos portões das escolas. A falta de profissionais como o agente educador ou o porteiro é um importante elemento de insegurança. O trabalho desses profissionais é de fundamental importância, tanto para a tranqüilidade necessária para desenvolver nosso trabalho em sala de aula, bem como para aumentar a segurança de todos.

 

Além disso, não termos profissionais nos pátios e corredores para a orientação dos alunos. Assim, os alunos vão sozinhos aos banheiros e acessam as escadas e corredores, sem nenhum profissional específico para orientá-los, o que em muitos momentos acaba ocasionando agressões entre eles e outros acidentes.

 

Quando os professores estão em sala de aula, a sala de professores fica abandonada, sem ninguém para olhar. Isso sem falar na estrutura dos prédios, com escolas dentro de comunidades com problemas de violência e que não possuem estrutura segura. Muitas delas possuem janelões em vidro comum, por exemplo, voltados para as comunidades, o que facilita a passagem de balas perdidas.

 

A agressão de pais ou alunos a professores só acontece porque a prefeitura não nos apresenta condições de fornecermos um trabalho de qualidade - e isto é percebido por eles. A comunidade, dessa forma, responsabiliza o próprio profissional de educação por um fracasso dos alunos - discurso este que o governo vem cantando em verso e prosa, há anos.

 

Estes problemas normalmente são abafados na própria escola por orientação da SME, que prefere jogar pra debaixo do tapete os problemas a tentar resolvê-los. Portanto a SME deveria estar mais preocupada em resolver os problemas de sua alçada antes de pensar em cercar as escolas com policiais ou colocá-los dentro das escolas, o que certamente não resolverá os problemas de violência nem dentro e nem no entorno.

Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
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